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quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Feliz Ano Novo.

Nenhum ano será realmente novo se continuarmos a cometer os mesmos erros dos anos velhos.Feliz e Próspero Ano Novo!!!

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Breve nota sobre a Solidariedade

Nesta época natalícia uma das palavras que mais se ouve é :SOLIDARIEDADE.    Confesso que fico satisfeito ao ver esta onda generalizada por todo o país.Gosto e contribuo sempre para os diversos apelos que são sistematicamente feitos.
   No entanto, revolta-me profundamente, que só se fale "dela" nesta época.
   Sei que vivemos num momento de crise profunda, de desânimo, de descrédito e de tristeza.
   Sei que o governo, não tem governado bem.Que não tem assumido as suas responsabilidades políticas, económicas e sociais.
   Sei e continuo sabendo....
   Mas também sei que podemos e devemos ser solidários durante todo o ano e que por vezes custa tão pouco:
   Basta um sorriso.
   Basta um abraço.
   Basta um carinho.
   Basta um pão.
   Basta um prato de sopa.
   Basta afastar uma pedra do caminho.
   Basta saber perdoar.
   Basta tanto e tão pouco.
   Basta  sermos humanos.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Presépio tradicional do Corvo




Presépio da dona Edite Cabral    



A palavra "presépio" significa local onde se recolhe o gado, curral e estábulo.É também a designação dada à representação cústica do Menino Jesus num estábulo, acompanhado pela Virgem Maria, por 
S.José, por uma vaca e um jumento.
  Infelizmente, esta é uma tradição que se vai perdendo de ano para ano.
  O presépio, geralmente era feito na sala, constituído por uma gruta feita em pedras, forradas por palha de trigo e musgo.Na gruta encontrava-se o Menino Jesus, José e Maria, sob o olhar atento dos reis magos.
  Os caminhos eram feitos com areia e farelo de serra.
Constituía-se assim uma "aldeia", onde não podia faltar, a Igreja, a Câmara e as casas típicas.De salientar que tudo isto era feito em papelão.
  Como se nota era tudo muito simples, feito com os materiais possíveis, onde se destacavam as pedras, a areia, o farelo e o cartão.
  Contudo, era esta simplicidade que o tornava mais belo, mais mágico e  mais sublime.
  As crianças olhavam-no embevecidas e sonhavam ardentemente com as prendas do Menino Jesus.
  Eram outros tempos, mas ainda foram os meus tempos e que me deixam muita saudade!




sábado, 25 de dezembro de 2010

Uma simples e pequena mensagem de Natal, mas que para mim representa muito.

A melhor mensagem de Natal é aquela que sai em silêncio dos nossos corações e aquece com ternura os corações daqueles que nos acompanham ao longo da vida.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Correios prestam um mau serviço no Corvo.

Os "Correios de Portugal", enquanto instituição merecem-me todo o respeito e admiração.
  No entanto, actualmente, estão prestando um péssimo, inadmissível e incompreensível serviço a todos os Corvinos.
  Até finais de Outubro passado, haviam dois funcionários:uma chefe e um carteiro.A partir de Novembro, passou a haver apenas um carteiro, que acumulou também a chefia da Estação. Isto implica uma grande mudança no serviço e nos hábitos da população.
  Actualmente, a Estação funciona nos seguintes termos:às segundas, quartas e sextas, abre durante a manhã e encerra toda a tarde. Às terças e quintas é exactamente o contrário.
  Isto implica que muitas vezes quando necessitámos de ir ao Correio, este se encontre encerrado, quando precisámos de receber alguma correspondência,por vezes chegar atrasada, etc, etc.
  Os Correios não se podem nem devem esquecer-se que somos cidadãos como quaisquer outros.Com direitos e deveres.Que pagámos os nossos impostos.Que somos habitantes de uma Vila.
  Não queremos que nos tratem como uns coitadinhos.Queremos é ter direito a um serviço digno e justo.Não queremos ser descriminados.
  Gostava de salientar todo o trabalho, esforço e dedicação que o Orlando Rosa, o nosso "carteiro/chefe" tem feito.Por isso, obrigado Orlando.
  Para a senhora Directora Regional dos Correios, desejo que repense a sua atitude!!!

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

UM RAIO DE SOL

O Outono anda frio e chuvoso e o Inverno aproxima-se rapidamente.
 Os dias luminosos, quentes e azuis já passaram, mas existe sempre um raio de sol nas nossas vidas, que geralmente surge quando menos esperamos, quando pensámos que tudo está escuro, cinzento e triste.
 Desde que nascemos até morrermos há sempre momentos, espaços e situações que parecem desabar em cima de nós, como núvens carregadas, cinzentas e ameaçadoras.No entanto, há sempre uma aberta e ele aparece.
 Sentimo-lo penetrar em nós, sentimo-lo aquecer o nosso corpo e a nossa alma.
 Em situações amargas da vida, ele surge das mais diversas maneiras.
 Com o nascimento de um filho, com os seus primeiros passos, com as suas primeiras palavras e com o primeiro beijo.A partir deste momento deixámos de ser "eu" e passámos a ser "nós".
 Quando estamos tristes, ele surge com um pequeno gesto de carinho, com uma música, uma poesia, um filme, uma flor...
 Quando estamos magoados, ele aparece inesperadamente com uma palavra de conforto.
 Quando pensámos que estamos sós, ele chega com um abraço.
 Quando pensámos e continuamos a pensar insistentemente, ele surge e deixámos de pensar.Passámos então a agir com força, com vontade, com alegria e prazer.
 Ele existe, ele surge, ele está sempre presente.Temos é que estar atentos!
 Eu estou e ele agora aparece-me constantemente.
 É por isso que agora me sinto tão bem, tão feliz e não podia deixar de partilhar convosco toda a minha felicidade!!!

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

NATAL VERDADEIRO E NATAL HIPÓCRITO -Com votos de Bom Natal.

Para mim o Natal é a época mais festiva e a que mais gosto do ano.
  Fascina-me tudo: a Árvore, o Presépio, as prendas, a chuva, o frio e a consoada.No entanto, o que mais me satisfaz é a alegria das crianças, os seus sorrisos ingénuos e verdadeiros, a alegria de vê-los abrir os presentes, de disfrutá-los, de por vezes contentarem-se com tão pouco.
  O Natal simboliza amizade, partilha, união, confraternização, sorrisos  e alegria.
  Juntar toda a família à mesa, saborear os pratos típicos da época, ver o desejo das crianças em terminarem a ceia, na ânsia de irem abrir os presentes, é algo de maravilhoso, de sublime, de inexplicável.É uma sensação única e inesquecível.
  Isto para mim é o VERDADEIRO NATAL, o que sinto, vivo e pratico.
  No entanto há outro Natal que muitos vivem de maneira diferente.É O NATAL FALSO E HIPÓCRITO, onde reina a hipocrisia, a falsidade, a mentira e a obrigação.
  É praticado, infelizmente, por cada vês mais pessoas.São aqueles que nos dão prendas,apenas porque é politicamente correcto e não por simbolizarem a amizade verdadeira e desinteressada.
  São aqueles que nos dão as "boas festas" e geralmente desejam que elas sejam horríveis.
  São aqueles que nos cumprimentam, sem qualquer calor humano.
  São aqueles que não tem um sorriso para as crianças, nem para os idosos e doentes.
  São estes e aqueles!!!
  Não são todos, mas são muitos!!!
  São aqueles que não sabem o significado das palavras: AMOR, SINCERIDADE e SOLIDAREIEDADE!!
  São os egoístas!!!
  São cada vez mais!!!

  Da minha parte desejo-vos um NATAL VERDADEIRO.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Recordações do dia da Matança do Porco

O dia da Matança do Porco, sempre foi e continua ser um dia que simboliza fartura, alegria, alegria, partilha, convívio e amizade.Realiza-se normalmente entre os meses de Outubro e Dezembro.
  A preparação começava alguns dias antes com o rachar da lenha e a apanha da queiró, feito pelos homens.
  Na véspera, eram as mulheres que trabalhavam mais.Picavam a salsa e a cebola para as morcelas e encarregavam-se da preparação das comidas.Destacam-se a sopa de feijão, a linguiça frita, as batatas doces(cozidas ou assadas), as filhoses e claro, o queijo do Corvo.
  Uma curiosidade interessante, era o facto das crianças das famílias ou dos amigos mais próximos, passarem a noite na casa do proprietário, deitados em cima de junco colocado no chão da cozinha.
  Chegava assim o grande dia, com a família a levantar-se bastante cedo.As mulheres começavam a preparar o pequeno almoço, onde abundava o pão caseiro, a manteiga e o queijo corvino, as filhoses e o café ou leite.
  Os homens entretanto já tinham iniciado o seu trabalho, colocando as mesas, as celhas e fazendo a "moura".
  A pouco e pouco iam chegando  os familiares e amigos e iniciava-se o trabalho.Começavam por tirar os porcos dos currais e levavam-nos para a eira, onde eram mortos, chamuscados, rapados e partidos.
  Entretanto as mulheres continuavam bastante atarefadas a lavar as tripas no calhau, junto ao mar.Os homens agora, salgavam alguma carne para a "barça" e a restante para a "moura".
  O  duro trabalho estava assim terminando.Agora era tempo de ir almoçar.
  Um factor que queria destacar era a constante alegria das crianças, onde a brincadeira continuava, agora com uma "bola de futebol", que tinha sido feita com a bexiga do porco.
  Era assim o Dia da Matança.Um dia fundamental para qualquer família corvina, porque o porco constítuia a base da sua alimentação.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Viver no Corvo é...

Uma experiência única.
 Um modo de vida diferente.É sentir o sol, mas também a chuva, o vento forte e as ondas gigantes.
 É partilhar e compartilhar.
 É sentir a amizade, mas também a ingratidão e a injustiça.
 É não poder ter segredos e não podermos viver um vida própria.
 É conhecer os sonhos, as dificulades, as ambições, os amores e desamores de cada um.
 É sentir a dor dos outros e partilhar a nossa.
 É ser ajudado e ajudar.
 É sentir a inquietude dentro da quietude.
 É sentir a beleza da natureza, ouvir o som dos pássaros, mas também o dos carros e motos.
 É recordar os serões no Outeiro.
 É recordar as vivências passadas, as fechaduras de madeira, os gorros e as roupas de algodão.
 É pensar e sentir que ninguém nos ouve.
 É viver num estado quase permanente de felicidade e paz.
 É  ter fé e esperança.
 É diferente, mas ao mesmo tempo igual.
 É viver numa realidade irreal.
 É viver no Corvo.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Plano de contigência accionado para o Corvo

A ilha do Corvo está há 18 dias sem ligações marítimas e a falta de produtos alimentares já se começa a sentir, o que levou as autoridades a accionarem o plano de contingência.
Por causa das más condições atmosféricas e da forte agitação marítima, o barco que faz a ligação com a ilha das Flores tem sido impedido de atracar no porto da ilha do Corvo, a mais pequena do arquipélago.
Devido a esta situação, este sábado à noite a Secretaria Regional da Economia accionou o plano de contingência para abastecimento de produtos alimentares.
A partir de segunda-feira serão transportadas duas toneladas de produtos alimentares para aquela ilha por via aérea, com vista a evitar uma ruptura total nas reservas que ainda existem na ilha do Corvo, onde vivem menos de 500 pessoas.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

BREVES REGISTOS

DESCOBERTA

  A ilha foi descoberta por Diogo de Teive em 1452, durante uma viagem de regresso da Terra Nova.Contudo, não foi feita muita divulgação da sua descoberta, por esta se ter tornado um excelente ponto de apoio às navegações.

COORDENADAS

  O Corvo que tem dez quilómetros de cumprimento e cinco de largura, situa-se entre os 39º40´de latitude Norte e os 31º5´de longitude Oeste.

DOAÇÕES

  A ilha foi doada por D.Afonso V ao seu sobrinho, o Duque de Bragança.Na altura dos Filipes foi entregue à família Mascarenhas, que posteriormente a passa à do Duque de Aveiro.Com o enforcamento deste, é confiscada e entregue à coroa.

PLATAFORMAS
  O Corvo e as Flores assentam numa plataforma americana que está a afastar-se cinco milímetros por ano da europeia, onde assentam as outras ilhas do arquipélago.

NEBULOSIDADE

  As altitudes das arribas da ilha(700 metros no Estreitinho) quebram a velocidade dos ventos fazendo subir o ar húmido - vindo da corrente quente do Golfo -, o que provoca  a formação permanente de nuvens.Os ventos predominantes são  de NW e W com velocidade média anual de 18,8Km,Chove mais de Outubro a Março e a temperatura média anual é de 17,6 graus.

ESPÉCIES

  O Corvo, constitui, pela sua diversidade de "habitats", de aves de arribação e de insectos, uma reserva preciosa.Actualmente tem mais de 3oo espécies de flora.

LUGARES

  O Morro da Fonte, o Morro dos Homens, o Caldeirão, a Coroínha, o Serrão Alto, o Braço, a Cancela do Pico, a Fonte Velha, o Porto da Areia, o Porto da Casa, o Boqueirão, o Porto Novo, a Cancela do Pico, os Palheiros, o Fojo e a Furna dos Franceses, são os principais lugares da geografia da ilha.

POPULAÇÃO

  Em nove décadas  a população do Corvo passou de 808 pessoas em 1900 para 480 em 2008.Presentemente encontra-se estabilizada.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Murmúrios

Há dias na ilha que não apetece contar o tempo, que não apetece, actuar nem intervir.Fazê-lo é quebrar a harmonia e a quietude que tudo protege e aconchega.
  A fuga à realidade criou outra realidade, fictícia e feliz.É fácil acreditar nela, tomá-la por única, por autêntica, até se tornar mesmo única e autêntica.O futuro parece frágil.A quebra das exportações, o corte dos subsídios e a falta de emprego podem alterar o algodão em rama do presente.
  Há na ilha uma certa atmosfera de fim.Séculos de cruzamentos entre a Europa, a América, a África, a Ásia, deixaram-lhe melancolias irreversíveis.
  Os seus habitantes silenciam-se.A mistura de sangues afeiçoou-os as parecenças e as vibrações.
  Percorrer as ruas e as canadas da vila, saborear o queijo, parar no Outeiro, sentir os cheiros, ouvir os sussurros, é entrar num tempo dilatado do tempo, coisa só possível em espaço de eleição.
 Mas, eis que surge outro dia.Luminoso, quente, suave, transparente.Tudo muda.A vontade de trabalhar, de vencer, de sorrir, de andar em frente.`
  É a ilha e os corvinos!!!

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Cumplicidades....

Em dias de lua cheia, não são precisos os faróis para vermos a estrada.Não há névoa, nem nuvens sequer.A transparência é total.Defronte, as luzes das Flores tornam o estreito mais próximo, mais íntimo e mais cúmplice.
  O coro dos garajaus torna-se aragem quente e música de intimidades.O universo parece concentrar-se na ilha, enchendo-a de ecos, de vibrações, que entram nos corpos, nas almas.
  O Corvo tudo vigia, ouve, adivinha, partilha, silencia e oculta.É sábio,É cúmplice.É esquivo.É ofegante.Viver nele exige ambiguidade e lentidão.
  O colectivo não lhe anula o individual, o estabelecido não anula a diferença.Há lugar para todos.
  A ilha é uma câmara de murmúrios, uma sinfonia de andamentos pausados e pousados.Fala-se, ama-se, desanima-se, sofre-se, mas também se ri e se sonha.
  Vacas bordejam o caminho que sobem a montanha dando à paisagem vislumbres únicos.
  O mar isola, é certo, mas nem por isso deixa de ser uma estrada.Não compartilha-mos da distorção conceptual que transforma o corvino num ilhéu isolado sobre si próprio.No entanto, o isolamento não é necessariamente mau.A insularidade tem o duplo significado de isolamento e de vida de relação.
 No Corvo vive-se e sente-se tudo isto  numa maneira única.Só quem cá vive ou viveu percebe.
  É o Corvo e as suas cumplicidades!!!

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Boiadas

À cultura do pastel, desenvolvida até ao sec.XIX, sucedeu-se a do gado.A sua exportação tornou-se a principal fonte de rendimento da ilha.Todos os anos pelo Verão centenas de cabeças saem no barco para as Flores, de onde partem para o continente.
  Este é um dos rituais mais complexos da comunidade, que nos faz lembrar as "boiadas"  dos "westerns" cinematográficos.Neblinas de cheiros envolvem todas as ruas atravessadas pelas cavalgadas acres e ondulantes , como se estivessem adivinhando o seu destino.
  O cais, as embarcações, as ondas, os gritos, o suor, o ardor, a violência, os animais a resistirem, a recuarem de medo, o subterfúgio nos embarques, a saudade espalhada no rosto dos  donos, tornam-se imagens de fantasias.
  Os urros dos animais ficam, na distância das embarcações que os levam quase todos para a morte, a ecoar durante muito tempo como trombetas de um juízo final por vencer.
  Actualmente este ritual ainda se mantêm.O escoamento é feito geralmente  duas ou três vezes por ano e no Verão e é quase toda da responsabilidade da Associação Agrícola do Corvo.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Terra de anciãos e crianças.

Esta é a terra dos anciãos e crianças.Esta é a ilha das pessoas, porque não é sua beleza paisagística(que é discreta), ou pelo seu património arquitectónico que se destaca.É pela estrutura da sua sociedade, pelas relações dos seus habitantes, pela solidariedade do seu comunitarismo que ela se projecta e se destaca no mundo actual.
  Não se encontram aqui milionários, não se vê indigentes, não há gente  a pedir e não se detectam muitos fossos de desigualdade.
  As pessoas comem e bebem  bem.Tomam banho à tarde quando vem dos campos, mudam de roupa e alguns até de relógio.Cerca de 80 por cento tem conta no banco.Todas as habitações(actualmente existem cerca de 120 fogos habitados), tem casa de banho, luz eléctrica, gás, televisão e frigorífico...
  Não há edifícios habitados fora da Vila.Apenas casebres, os chamados "palheiros", para guarda de alfaias, produtos e animais,se deparam na subida,
  Em excesso, a pedra foi empilhada por muros que esquadriam toda a paisagem, a pontuam de voltas e rendilhados por vezes labirínticos.Foi a maneira, o construí-los, de ordenar, arrumar as enxurradas de basalto solto pela cratera.
  A pocilga rente à cozinha (actualmente e felizmente cada vez menos), a urdidura das hortas, o manejo do pão e do queijo e das comidas constituem uma marca única da ilha, tudo isto aliado a um cheiro penetrante, forte e único: o cheiro do Corvo.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Ilha de Rituais

No Corvo, o trabalho, o lazer e o convívio são profundamente ritualizados.Há uma grande cumplicidade para que ninguém produza e desperdice demasiado.A sabedoria própria dos corvinos levou a população a autocontrolar-se, a auto-regualar-se de acordo com os seus recursos e equilíbrios.
  Em nove décadas passou de 808 habitantes(ano de 1900) para 380 em 1994.Hoje tem aproximadamente 500.
  Existe uma lenda que diz que, no passado, ao atingir os 999 habitantes e ao esperar o nascimento de mais uma, a população entrou em estado de euforia.No entanto, dois dias antes do parto, um idoso faleceu e assim nunca foi conseguido o milhar de habitantes.
 A vida dos agricultores e pastores, é a de mudar as rezes de pasto em pasto.A sua venda começou a dar dinheiro nos anos 60.O Governo chegou mesmo a pensar em transformar a ilha numa zona de produção de carne para os exércitos coloniais.
  O fabrico de queijo também aumentou , mas infelizmente hoje não existe uma Queijaria na ilha.
  A criação de carneiros, viu-se, por sua vez abandonada.O Dia da Lã, cerimónia da tosquia das ovelhas realizada na última quinta-feira de Maio, festa da liberdade, do convívio(as crianças podiam fazer o que quisessem, até fumar) terminou repentinamente.
  O artesanato(colchas, cobertores, bonés e fechaduras de madeira) chegaram a ter procura internacional.Infelizmente, actualmente só existe uma família que se dedica ao artesanato local e a procura continua a ser muita.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

O Caldeirão






A ilha do Corvo é formada por uma única montanha vulcânica já extinta-o Monte Gordo, coroado com uma ampla cratera de abatimento chamada Caldeirão, com 3,7km de perímetro e 300 metros de profundidade, onde se encontra o Caldeirão.O ponto mais alto da ilha é o Morro dos Homens, no rebordo sul do Caldeirão, com 718 metros de altura.
  O Caldeirão dista do centro da vila 8Km.Actualmente existe estrada asfaltada em todo o percurso.
  Visitar o Caldeirão torna-se uma experiência única, mágica, fascinante e inesquecível!!!

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Luz e Trevas


É difícil encontrar e felicidade no mundo, mas se tal fosse possível ela estava aqui.É um dos locais mais aconchegantes da terra.Provavelmente não se encontra em mais parte nenhuma um comunitarismo assim, uma afectividade, uma delicadeza e uma sabedoria assim.
  Chega-se por ondulações.Atravessa-se, ao aproximar, uma zona de protecção, na água e no ar, indivisível e densa.Com bravura, o barco e o avião vencem as vagas hostis(do vento e do mar) que se abatem e se enrolam sobre eles.
  Desembarca-se com um sobressalto de renascimento.A terra, castanha e densa, o vento forte e quente, os olhares fugidíos, as casas chãs e polidas, as encostas pedregosas, ofertam-se e esquivem-se em flutuações irrecusáveis.
  Deixa-se o aerogare e o cais e entra-se na povoação, onde as canadas se estreitam e os odores penetram.A vila vai-se abrindo despojada, subtil e luminosa.
  As pessoas percorrem-na calmamente, as conversas vão surgindo, bem como os olhares, a timidez, os sorrisos, as exclamações e os silêncios.
  Surge então a cumplicidade, verdadeira e sincera entre os visitantes e os visitados!

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Tio Pedro Pimentel - ilha do Corvo



                        TIO PEDRO CEPO

O tio Pedro Cepo nasceu  em 1913 e faleceu em 2009.
  Foi um homem simples, um homem do povo, da agricultura, um homem do corvo e do mundo.
  Dedicou toda a sua vida aos trabalhos agrícolas, à música e ao folclore.Foi um dos elementos mais activos da Banda Filarmónica do Corvo, onde tocou, regeu e ensinou.
  Participou  em vários espectáculos um pouco por todo o mundo.Esteve na Expo Sevilha, na Expo 98, nos E.U.A entre outros.
  Por onde passava irradiava alegria, simpatia e granjeava amigos.
  Recebeu várias condecorações, das quais destaco a do Presidente da República, do Governo Regional e da Câmara Municipal do Corvo.
  Deixo-lhe aqui a minha singela, mas sentida homenagem.

domingo, 21 de novembro de 2010

Os Corsários.

Vencida que foi a primeira fase do povoamento, em que foram largados animais de pastoreio, e depois de cinco tentativas de fixação de colonos, o Corvo finalmente começou a ser povoado.
  Nesta zona, mais tarde, começaram a  convergir as grandes carreiras intercontinentais das  Índias, das Áfricas, das Américas, antes de aportarem à Europa.O ouro, as especiarias, os escravos, os diamantes, e a cobiça por eles, concentraram-se, como consequência, à sua volta.
  Corsários poderosos afluíram de Marrocos, da Turquia, da França, da Inglaterra e da Holanda.Sem guarnições militares eficazes, o Corvo tornou-se apetecido por todos, que o julgavam presa fácil.
  Nos séculos XVI e XVII, a ilha sofre grandes invasões de norte-africanos que, pretendem raptar-lhe a população.Nas alturas dos ataques, os habitantes escondiam-se entre os musgos do Caldeirão.
  Resguardados na parte mais alta da ilha, cheia de calhaus rolantes, os corvinos resistiram sempre com grande coragem aos invasores.
  A maior parte dos piratas preferiu, no entanto, a atacá-los, estabelecer com eles relações de comércio-Aguadas, fornecimento de víveres, tratamento de feridos e enfermos, conserto de embarcações, tornaram-se, a troco de dinheiro, presentes e protecção, comuns.
  A passagem dos veleiros e as ajudas dos piratas, reconfortou.os bastante.Deles, e dos barcos que, de noite se despedaçavam nas rochas, aproveitaram-se com discrição, com ambiguidade durante gerações.
  O fim das guerras napoleónicas e o domínio dos mares pelos ingleses alteram depois a ordem dominante e empobreceram gravemente a vida  da comunidade.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

A HISTÓRIA DO CORVO.

A descoberta da ilha do Corvo foi feita em simultâneo com a ilha das Flores em 1452 por Diogo de Teive.Um facto singular importa salientar: é que enquanto nas outras ilhas do Arquipélago a ocupação humana verificou-se logo a seguir ao seu reconhecimento, no Corvo e nas Flores houve um hiato de várias décadas entre estes  dois momentos.A primeira tentativa de ocupação da ilha realizou-se entre 1508 e 1510, a mando de António Vaz Teixeira, da ilha Terceira e mais tarde em 1515, por ordem dos três irmãos Barcelos, também da ilha Terceira. No entanto, foi apenas com os escravos de Gonçalo de Sousa que se deu a colonização da ilha. A primeira vaga de povoamento definitivo do Corvo foi de facto constituída por escravos, e estes seriam principalmente negros, ainda que existissem também escravos mouros.
  Nas suas crónicas, Gaspar Frutuoso, revela os princípios de gestão sustentável que acompanham a ilha do Corvo e os seus habitantes.Dos escravos residentes na ilha, uns tratavam do gado, fornecendo aos rendeiros tudo o que precisassem para os trabalhos agrícolas e, outros, a quem chamavam "meirinhos da serra", vigiavam para que não se caçasse pássaros na época da criação desse e para que não entrassem no Corvo ratos transportados por barcos oriundos das Flores.
  A ilha ocupa uma superfície total de 17,3Km2, com 6,5Km de cumprimento por 4Km de largura.
  Situa-se a 39º40`de latitude  Norte e  31º05`de longitude Oeste.
  Conjuntamente com a ilha das Flores, formam o Grupo Ocidental dos Açores.
  Presentemente tem à volta de 480 habitantes e 120 casas habitadas.