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segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Terra de anciãos e crianças.

Esta é a terra dos anciãos e crianças.Esta é a ilha das pessoas, porque não é sua beleza paisagística(que é discreta), ou pelo seu património arquitectónico que se destaca.É pela estrutura da sua sociedade, pelas relações dos seus habitantes, pela solidariedade do seu comunitarismo que ela se projecta e se destaca no mundo actual.
  Não se encontram aqui milionários, não se vê indigentes, não há gente  a pedir e não se detectam muitos fossos de desigualdade.
  As pessoas comem e bebem  bem.Tomam banho à tarde quando vem dos campos, mudam de roupa e alguns até de relógio.Cerca de 80 por cento tem conta no banco.Todas as habitações(actualmente existem cerca de 120 fogos habitados), tem casa de banho, luz eléctrica, gás, televisão e frigorífico...
  Não há edifícios habitados fora da Vila.Apenas casebres, os chamados "palheiros", para guarda de alfaias, produtos e animais,se deparam na subida,
  Em excesso, a pedra foi empilhada por muros que esquadriam toda a paisagem, a pontuam de voltas e rendilhados por vezes labirínticos.Foi a maneira, o construí-los, de ordenar, arrumar as enxurradas de basalto solto pela cratera.
  A pocilga rente à cozinha (actualmente e felizmente cada vez menos), a urdidura das hortas, o manejo do pão e do queijo e das comidas constituem uma marca única da ilha, tudo isto aliado a um cheiro penetrante, forte e único: o cheiro do Corvo.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Ilha de Rituais

No Corvo, o trabalho, o lazer e o convívio são profundamente ritualizados.Há uma grande cumplicidade para que ninguém produza e desperdice demasiado.A sabedoria própria dos corvinos levou a população a autocontrolar-se, a auto-regualar-se de acordo com os seus recursos e equilíbrios.
  Em nove décadas passou de 808 habitantes(ano de 1900) para 380 em 1994.Hoje tem aproximadamente 500.
  Existe uma lenda que diz que, no passado, ao atingir os 999 habitantes e ao esperar o nascimento de mais uma, a população entrou em estado de euforia.No entanto, dois dias antes do parto, um idoso faleceu e assim nunca foi conseguido o milhar de habitantes.
 A vida dos agricultores e pastores, é a de mudar as rezes de pasto em pasto.A sua venda começou a dar dinheiro nos anos 60.O Governo chegou mesmo a pensar em transformar a ilha numa zona de produção de carne para os exércitos coloniais.
  O fabrico de queijo também aumentou , mas infelizmente hoje não existe uma Queijaria na ilha.
  A criação de carneiros, viu-se, por sua vez abandonada.O Dia da Lã, cerimónia da tosquia das ovelhas realizada na última quinta-feira de Maio, festa da liberdade, do convívio(as crianças podiam fazer o que quisessem, até fumar) terminou repentinamente.
  O artesanato(colchas, cobertores, bonés e fechaduras de madeira) chegaram a ter procura internacional.Infelizmente, actualmente só existe uma família que se dedica ao artesanato local e a procura continua a ser muita.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

O Caldeirão






A ilha do Corvo é formada por uma única montanha vulcânica já extinta-o Monte Gordo, coroado com uma ampla cratera de abatimento chamada Caldeirão, com 3,7km de perímetro e 300 metros de profundidade, onde se encontra o Caldeirão.O ponto mais alto da ilha é o Morro dos Homens, no rebordo sul do Caldeirão, com 718 metros de altura.
  O Caldeirão dista do centro da vila 8Km.Actualmente existe estrada asfaltada em todo o percurso.
  Visitar o Caldeirão torna-se uma experiência única, mágica, fascinante e inesquecível!!!

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Luz e Trevas


É difícil encontrar e felicidade no mundo, mas se tal fosse possível ela estava aqui.É um dos locais mais aconchegantes da terra.Provavelmente não se encontra em mais parte nenhuma um comunitarismo assim, uma afectividade, uma delicadeza e uma sabedoria assim.
  Chega-se por ondulações.Atravessa-se, ao aproximar, uma zona de protecção, na água e no ar, indivisível e densa.Com bravura, o barco e o avião vencem as vagas hostis(do vento e do mar) que se abatem e se enrolam sobre eles.
  Desembarca-se com um sobressalto de renascimento.A terra, castanha e densa, o vento forte e quente, os olhares fugidíos, as casas chãs e polidas, as encostas pedregosas, ofertam-se e esquivem-se em flutuações irrecusáveis.
  Deixa-se o aerogare e o cais e entra-se na povoação, onde as canadas se estreitam e os odores penetram.A vila vai-se abrindo despojada, subtil e luminosa.
  As pessoas percorrem-na calmamente, as conversas vão surgindo, bem como os olhares, a timidez, os sorrisos, as exclamações e os silêncios.
  Surge então a cumplicidade, verdadeira e sincera entre os visitantes e os visitados!

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Tio Pedro Pimentel - ilha do Corvo



                        TIO PEDRO CEPO

O tio Pedro Cepo nasceu  em 1913 e faleceu em 2009.
  Foi um homem simples, um homem do povo, da agricultura, um homem do corvo e do mundo.
  Dedicou toda a sua vida aos trabalhos agrícolas, à música e ao folclore.Foi um dos elementos mais activos da Banda Filarmónica do Corvo, onde tocou, regeu e ensinou.
  Participou  em vários espectáculos um pouco por todo o mundo.Esteve na Expo Sevilha, na Expo 98, nos E.U.A entre outros.
  Por onde passava irradiava alegria, simpatia e granjeava amigos.
  Recebeu várias condecorações, das quais destaco a do Presidente da República, do Governo Regional e da Câmara Municipal do Corvo.
  Deixo-lhe aqui a minha singela, mas sentida homenagem.

domingo, 21 de novembro de 2010

Os Corsários.

Vencida que foi a primeira fase do povoamento, em que foram largados animais de pastoreio, e depois de cinco tentativas de fixação de colonos, o Corvo finalmente começou a ser povoado.
  Nesta zona, mais tarde, começaram a  convergir as grandes carreiras intercontinentais das  Índias, das Áfricas, das Américas, antes de aportarem à Europa.O ouro, as especiarias, os escravos, os diamantes, e a cobiça por eles, concentraram-se, como consequência, à sua volta.
  Corsários poderosos afluíram de Marrocos, da Turquia, da França, da Inglaterra e da Holanda.Sem guarnições militares eficazes, o Corvo tornou-se apetecido por todos, que o julgavam presa fácil.
  Nos séculos XVI e XVII, a ilha sofre grandes invasões de norte-africanos que, pretendem raptar-lhe a população.Nas alturas dos ataques, os habitantes escondiam-se entre os musgos do Caldeirão.
  Resguardados na parte mais alta da ilha, cheia de calhaus rolantes, os corvinos resistiram sempre com grande coragem aos invasores.
  A maior parte dos piratas preferiu, no entanto, a atacá-los, estabelecer com eles relações de comércio-Aguadas, fornecimento de víveres, tratamento de feridos e enfermos, conserto de embarcações, tornaram-se, a troco de dinheiro, presentes e protecção, comuns.
  A passagem dos veleiros e as ajudas dos piratas, reconfortou.os bastante.Deles, e dos barcos que, de noite se despedaçavam nas rochas, aproveitaram-se com discrição, com ambiguidade durante gerações.
  O fim das guerras napoleónicas e o domínio dos mares pelos ingleses alteram depois a ordem dominante e empobreceram gravemente a vida  da comunidade.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

A HISTÓRIA DO CORVO.

A descoberta da ilha do Corvo foi feita em simultâneo com a ilha das Flores em 1452 por Diogo de Teive.Um facto singular importa salientar: é que enquanto nas outras ilhas do Arquipélago a ocupação humana verificou-se logo a seguir ao seu reconhecimento, no Corvo e nas Flores houve um hiato de várias décadas entre estes  dois momentos.A primeira tentativa de ocupação da ilha realizou-se entre 1508 e 1510, a mando de António Vaz Teixeira, da ilha Terceira e mais tarde em 1515, por ordem dos três irmãos Barcelos, também da ilha Terceira. No entanto, foi apenas com os escravos de Gonçalo de Sousa que se deu a colonização da ilha. A primeira vaga de povoamento definitivo do Corvo foi de facto constituída por escravos, e estes seriam principalmente negros, ainda que existissem também escravos mouros.
  Nas suas crónicas, Gaspar Frutuoso, revela os princípios de gestão sustentável que acompanham a ilha do Corvo e os seus habitantes.Dos escravos residentes na ilha, uns tratavam do gado, fornecendo aos rendeiros tudo o que precisassem para os trabalhos agrícolas e, outros, a quem chamavam "meirinhos da serra", vigiavam para que não se caçasse pássaros na época da criação desse e para que não entrassem no Corvo ratos transportados por barcos oriundos das Flores.
  A ilha ocupa uma superfície total de 17,3Km2, com 6,5Km de cumprimento por 4Km de largura.
  Situa-se a 39º40`de latitude  Norte e  31º05`de longitude Oeste.
  Conjuntamente com a ilha das Flores, formam o Grupo Ocidental dos Açores.
  Presentemente tem à volta de 480 habitantes e 120 casas habitadas.