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segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Terra de anciãos e crianças.

Esta é a terra dos anciãos e crianças.Esta é a ilha das pessoas, porque não é sua beleza paisagística(que é discreta), ou pelo seu património arquitectónico que se destaca.É pela estrutura da sua sociedade, pelas relações dos seus habitantes, pela solidariedade do seu comunitarismo que ela se projecta e se destaca no mundo actual.
  Não se encontram aqui milionários, não se vê indigentes, não há gente  a pedir e não se detectam muitos fossos de desigualdade.
  As pessoas comem e bebem  bem.Tomam banho à tarde quando vem dos campos, mudam de roupa e alguns até de relógio.Cerca de 80 por cento tem conta no banco.Todas as habitações(actualmente existem cerca de 120 fogos habitados), tem casa de banho, luz eléctrica, gás, televisão e frigorífico...
  Não há edifícios habitados fora da Vila.Apenas casebres, os chamados "palheiros", para guarda de alfaias, produtos e animais,se deparam na subida,
  Em excesso, a pedra foi empilhada por muros que esquadriam toda a paisagem, a pontuam de voltas e rendilhados por vezes labirínticos.Foi a maneira, o construí-los, de ordenar, arrumar as enxurradas de basalto solto pela cratera.
  A pocilga rente à cozinha (actualmente e felizmente cada vez menos), a urdidura das hortas, o manejo do pão e do queijo e das comidas constituem uma marca única da ilha, tudo isto aliado a um cheiro penetrante, forte e único: o cheiro do Corvo.

5 comentários:

  1. Os que nos falta mesmo é sentir o cheiro, porque de resto conseguimos, pela discrição, sentir tudo o resto. Parabéns.

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  2. Fernando, gostei muito deste texto e vou publicá-lo no Jornal Açores9
    ( Se não deres licença, vai na mesma.....eheheh)
    Abraço

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  3. Texto simples a retratar claramente a vivência das gentes do Corvo. Gostei.

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  4. O Corvo, nem de palavras precisa. Basta apenas olhar para a ilha única, tal 'Barca de Noé' a boiar, mas imóvel, tendo uma voz lá dentro que nos diz: estamos distantes,mas estamos vivos!..
    DCA

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  5. Este é o retrato desta ilha do Corvo...
    Continuo sempre neste caminho a dar a conhecer esta maravilhosa terra...

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