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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Cumplicidades....

Em dias de lua cheia, não são precisos os faróis para vermos a estrada.Não há névoa, nem nuvens sequer.A transparência é total.Defronte, as luzes das Flores tornam o estreito mais próximo, mais íntimo e mais cúmplice.
  O coro dos garajaus torna-se aragem quente e música de intimidades.O universo parece concentrar-se na ilha, enchendo-a de ecos, de vibrações, que entram nos corpos, nas almas.
  O Corvo tudo vigia, ouve, adivinha, partilha, silencia e oculta.É sábio,É cúmplice.É esquivo.É ofegante.Viver nele exige ambiguidade e lentidão.
  O colectivo não lhe anula o individual, o estabelecido não anula a diferença.Há lugar para todos.
  A ilha é uma câmara de murmúrios, uma sinfonia de andamentos pausados e pousados.Fala-se, ama-se, desanima-se, sofre-se, mas também se ri e se sonha.
  Vacas bordejam o caminho que sobem a montanha dando à paisagem vislumbres únicos.
  O mar isola, é certo, mas nem por isso deixa de ser uma estrada.Não compartilha-mos da distorção conceptual que transforma o corvino num ilhéu isolado sobre si próprio.No entanto, o isolamento não é necessariamente mau.A insularidade tem o duplo significado de isolamento e de vida de relação.
 No Corvo vive-se e sente-se tudo isto  numa maneira única.Só quem cá vive ou viveu percebe.
  É o Corvo e as suas cumplicidades!!!

3 comentários:

  1. Prosa poética de encantos sonhadores, que nos faz sentir o pulsar das gentes corvinas! Presumo, ao ler, um luar de agosto ou de janeiro, os quais não têm paceiros! Presumo os murmúrios silenciosos de noites longas. Sente-se a relação afectiva! Um encanto Fernando! Parabéns!

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  2. Quase que fui um Corvino, ao lêr esta prosa linda e poética, e senti-me vivendo esta ilha, ao luar que anunciaste.

    Deliciosa e simples escrita, mas grande.
    Fernando, estás de parabéns, pois existe um bom fio condutor entre o teu sentir e a tua escrita.

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  3. Parabéns por esta linda prosa...

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