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quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Recordações do dia da Matança do Porco

O dia da Matança do Porco, sempre foi e continua ser um dia que simboliza fartura, alegria, alegria, partilha, convívio e amizade.Realiza-se normalmente entre os meses de Outubro e Dezembro.
  A preparação começava alguns dias antes com o rachar da lenha e a apanha da queiró, feito pelos homens.
  Na véspera, eram as mulheres que trabalhavam mais.Picavam a salsa e a cebola para as morcelas e encarregavam-se da preparação das comidas.Destacam-se a sopa de feijão, a linguiça frita, as batatas doces(cozidas ou assadas), as filhoses e claro, o queijo do Corvo.
  Uma curiosidade interessante, era o facto das crianças das famílias ou dos amigos mais próximos, passarem a noite na casa do proprietário, deitados em cima de junco colocado no chão da cozinha.
  Chegava assim o grande dia, com a família a levantar-se bastante cedo.As mulheres começavam a preparar o pequeno almoço, onde abundava o pão caseiro, a manteiga e o queijo corvino, as filhoses e o café ou leite.
  Os homens entretanto já tinham iniciado o seu trabalho, colocando as mesas, as celhas e fazendo a "moura".
  A pouco e pouco iam chegando  os familiares e amigos e iniciava-se o trabalho.Começavam por tirar os porcos dos currais e levavam-nos para a eira, onde eram mortos, chamuscados, rapados e partidos.
  Entretanto as mulheres continuavam bastante atarefadas a lavar as tripas no calhau, junto ao mar.Os homens agora, salgavam alguma carne para a "barça" e a restante para a "moura".
  O  duro trabalho estava assim terminando.Agora era tempo de ir almoçar.
  Um factor que queria destacar era a constante alegria das crianças, onde a brincadeira continuava, agora com uma "bola de futebol", que tinha sido feita com a bexiga do porco.
  Era assim o Dia da Matança.Um dia fundamental para qualquer família corvina, porque o porco constítuia a base da sua alimentação.

4 comentários:

  1. Gostei de saber. Obrigado pela partilha.É importante que fiquem resgistados os usos e os costumes das pessoas e das comunidades. Importa que as gerações vindouras continuem a ter memória dos mesmos, pois são essas memórias que representam as suas raizes culturais e... povo sem cultura é povo sem esperança. Abraço.

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Por S. Miguel, no essencial era o mesmo e terminava igual, com a bexiga do porco a servir de bola. Na minha terra servia-se também uma boa pratada de peixe frito ou bacalhau. O queijo não é costume ir à mesa e enquanto os homens rapavam porco e o partiam, corria uns cálices de aguardente e biscoitos caseiros.

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