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domingo, 26 de fevereiro de 2012

Tradições alimentares da Quaresma

   A Quaresma é tempo de reflexão, de penitência e sacrifícios.Estes factores também se reflectem no tipo de alimentação praticada nesta quadra.
   Assim, na quarta -feira de cinzas e em todas as outras sextas-feiras nunca se como nada de carne, seja de suíno, vaca, galinha ou qualquer outra.
   A base das refeições são o peixe,  as tortas de erva o calhau, as lapas, o polvo e os ovos claro o queijo.
   Actualmente já há também quem utilize o camarão, ameijoas e outros mariscos considerados "mais finos".
   Há também quem se alimente praticamente só de sopas.
   Finamente ainda existem aqueles que tem promessas de durante toda a Quaresma nunca, mas nunca comerem qualquer tipo de carnes.
   Com o passar dos tempos, infelizmente, algumas destas tradições vão se perdendo.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

O Outeiro

O outeiro sempre foi um dos locais mais místicos da Vila.E era-o por tudo e por nada...
   Foi aqui que os anciãos se impuseram mentores da ilha, da vida.Reuniam-se ao fim da tarde e por lá ficavam , por vezes em silêncios profundos, outras em risos contagiantes e outras ainda em acesas discussões.Falava-se de tudo, da guerra, da América, dos sonhos, dos medos, mas falava-se principalmente da Ilha.
   Decidiam os interesses, as necessidades, as carências e as reservas existentes.Faziam a justiça, a moral, a educação, a justiça e as partilhas e renuncias.
   Vestidos com as suas roupas de lã, pesadas, aconchegados uns aos outros e muitos apoiados nos seus cajaus era aqui que se sentia o pulsar da Vila e da Ilha.Era aqui que se discutia qual tinha o boi ou o porco maior.Era aqui que se ´comentava as notícias da guerra e era aqui que se sonhava com a América, com os dolares...
   Era aqui que durante o dia também as crianças brincavam, saltavam o muro da cooperativa.
   Era também aqui que as mulheres pousavam os cestos das couves e ponham a conversa em dia.
   Aqui tudo se decidia.
   Era também aqui que se realizavam todas as festas religiosas, desde S.Pedro a Nossa Senhora dos Milagres.
   Era aqui...
   Hoje é um lugar vago, triste e vazio...de gente, de alma e de espírito.
   Restam alguns sobreviventes que vão mantendo a tradição.
 
  

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Lino Freitas Fraga lança livro

Lino Freitas Fraga é natural do Corvo e antigo combatente no Ultramar.Durante vários anos publicou crónicas sobre este tema no Jornal "Correio dos Açores" e agora reuniu num só livro todas  as entrevistas que levou a cabo com antigos combatentes do Ultramar, naturais ou residentes nos Açores.
   As intensas consequências da guerra do Ultramar naqueles que foram os seus atores sensibilizou-o tão profundamente que o impulsionaram a recolher junto deles depoimentos diretos, de que resultaram um acervo de preciosas entrevistas intimistas, com combatentes açorianos, cujas dores e alegrias são relatadas duma forma realista e ao mesmo tempo fascinante.
   Estes Sofrimentos duma Guerra levam o leitor pelas frondosas florestas africanas onde estranhos casamentos acontecem, desastres inesperados ocorrem, alegrias e tristezas juntam-se em rodopio estonteante. Loucuras insanas de jovens perdidos na morte de camaradas na flor da idade.
   Lino Fraga nasceu na Ilha do Corvo e ficou órfão de mãe aos oito anos de idade. Depois de ter concluído a quarta classe, dedicou-se ao trabalho com o pai na agricultura e na pecuária, e pela Ilha ficou porque a conjuntura não lhe permitia abandonar a Ilha para continuar os estudos noutro local.
Ingressa na Filarmónica Lira Corvense o que lhe possibilita depois ir aos Estados Unidos da América para participar nas Festas do Divino Espírito Santo. Em 1965 inicia a sua atividade militar na Base Aérea nº 4 e depois é mobilizado para Angola terminando a comissão de serviço em 1968, regressando ao Corvo e ingressando na Estação Meteorológica daquela Ilha, donde depois é transferido para o Observatório Afonso de Chaves o que lhe possibilita concluir em Ponta Delgada o ensino secundário.
 Em 1976 Lino Fraga é eleito Presidente da Câmara do Corvo e durante o seu mandato deu um grande impulso à sua Ilha natal que como todas as demais Ilhas dos Açores tinha enormes carências, e padecia do isolamento que a falta de equipamentos portuários e aeroportuários provocava. Durante o seu mandato o ensino, a energia e a saúde estiveram no topo das prioridades. Lino Fraga tem o gosto pela escrita, coisa que é comum aos Corvinos, e intervêm através da escrita com temas da atualidade num exercício salutar de cidadania.
   Segundo, Lino Fraga, "Este livro é um relato apaixonado de ex-militares que sofre com as injustiças do abandono a que são votados os que foram Combatentes do Ultramar; quer mortos abandonados nas terras de África ou vivos e esquecidos nas terras para onde regressaram doentes ou mutilados, sofrendo na solidão da sua dor o que muitos ignoram ou não querem lembrar. Ao longo de várias e penosas entrevistas são recordados... momentos incríveis que coincidem com a história pátria que ajudaram a escrever com o seu sangue e a sua coragem. O leitor irá chorar e rir com as suas tristezas e alegrias na certeza que não estará lendo fantasias literárias mas a rude realidade duma guerra que foi inútil no seu resultado mas inevitável pelas circunstâncias que a condicionaram e que ninguém pôde ou quis afastar."

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Nossa Senhora dos Milagres.

Nossa Senhora dos Milagres é a padroeira da Vila do Corvo.Trata-se de uma escultura flamenga do século XVI, que foi encontrada no mar.
   Segundo a tradição a ela se deve um milagre:quando piratas turcos bombardeavam a ilha em Junho de 1632 para sequestrarem a população, esta foi buscar a imagem à Igreja e colocou-a na Canada da Rocha, virada para o mar.
   Nossa Senhora abriu, então, as mãos e as balas, batendo nelas, voltaram para trás atingindo os que as tinham disparado, tendo estes desaparecidos.
   A fé dos Corvinos por Nossa Senhora dos Milagres é imensa.É nos momentos mais aflitivos que recorrem à sua ajuda.
   A manifestação de toda esta fé tem o seu expoente máximo a 15 de Agosto.