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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Lino Freitas Fraga lança livro

Lino Freitas Fraga é natural do Corvo e antigo combatente no Ultramar.Durante vários anos publicou crónicas sobre este tema no Jornal "Correio dos Açores" e agora reuniu num só livro todas  as entrevistas que levou a cabo com antigos combatentes do Ultramar, naturais ou residentes nos Açores.
   As intensas consequências da guerra do Ultramar naqueles que foram os seus atores sensibilizou-o tão profundamente que o impulsionaram a recolher junto deles depoimentos diretos, de que resultaram um acervo de preciosas entrevistas intimistas, com combatentes açorianos, cujas dores e alegrias são relatadas duma forma realista e ao mesmo tempo fascinante.
   Estes Sofrimentos duma Guerra levam o leitor pelas frondosas florestas africanas onde estranhos casamentos acontecem, desastres inesperados ocorrem, alegrias e tristezas juntam-se em rodopio estonteante. Loucuras insanas de jovens perdidos na morte de camaradas na flor da idade.
   Lino Fraga nasceu na Ilha do Corvo e ficou órfão de mãe aos oito anos de idade. Depois de ter concluído a quarta classe, dedicou-se ao trabalho com o pai na agricultura e na pecuária, e pela Ilha ficou porque a conjuntura não lhe permitia abandonar a Ilha para continuar os estudos noutro local.
Ingressa na Filarmónica Lira Corvense o que lhe possibilita depois ir aos Estados Unidos da América para participar nas Festas do Divino Espírito Santo. Em 1965 inicia a sua atividade militar na Base Aérea nº 4 e depois é mobilizado para Angola terminando a comissão de serviço em 1968, regressando ao Corvo e ingressando na Estação Meteorológica daquela Ilha, donde depois é transferido para o Observatório Afonso de Chaves o que lhe possibilita concluir em Ponta Delgada o ensino secundário.
 Em 1976 Lino Fraga é eleito Presidente da Câmara do Corvo e durante o seu mandato deu um grande impulso à sua Ilha natal que como todas as demais Ilhas dos Açores tinha enormes carências, e padecia do isolamento que a falta de equipamentos portuários e aeroportuários provocava. Durante o seu mandato o ensino, a energia e a saúde estiveram no topo das prioridades. Lino Fraga tem o gosto pela escrita, coisa que é comum aos Corvinos, e intervêm através da escrita com temas da atualidade num exercício salutar de cidadania.
   Segundo, Lino Fraga, "Este livro é um relato apaixonado de ex-militares que sofre com as injustiças do abandono a que são votados os que foram Combatentes do Ultramar; quer mortos abandonados nas terras de África ou vivos e esquecidos nas terras para onde regressaram doentes ou mutilados, sofrendo na solidão da sua dor o que muitos ignoram ou não querem lembrar. Ao longo de várias e penosas entrevistas são recordados... momentos incríveis que coincidem com a história pátria que ajudaram a escrever com o seu sangue e a sua coragem. O leitor irá chorar e rir com as suas tristezas e alegrias na certeza que não estará lendo fantasias literárias mas a rude realidade duma guerra que foi inútil no seu resultado mas inevitável pelas circunstâncias que a condicionaram e que ninguém pôde ou quis afastar."

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