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terça-feira, 27 de março de 2012

Retrato da vida do Corvo em filme.

O realizador Gonçalo Tocha esteve mais de um ano a registar a vida na ilha açoriana do Corvo, condensando esse trabalho no documentário "É na terra não é na lua", que se estreia na quinta-feira, nos cinemas.

Gonçalo Tocha iniciou o projeto "É na terra não é na lua" em 2007 e esteve quatro anos a tentar fazer um filme a partir das imagens que recolheu em "um ano e meio de idas e voltas" à pequena ilha açoriana.
Em declarações à Lusa, o realizador explicou que, na rodagem, acabou por fazer algo como um "arquivo contemporâneo em movimento", com a equipa a filmar tudo o que conseguia.
A ilha do Corvo "é dos poucos sítios no mundo, como é uma microcomunidade, fechada em si própria, onde é possível ter esta ideia meio louca de tentar filmar tudo", acredita Gonçalo Tocha.
Perante um "arquivo gigante", Gonçalo Tocha optou por fazer "uma espécie de diário", algo "em construção". Daí a opção pelos capítulos, que vão deixando o produto final "em aberto".
Da experiência de rodagem e da vivência de tantos meses na ilha, Gonçalo Tocha recorda "um sítio claustrofóbico", que provoca "uma ambiguidade de sentimentos", entre a "paixão enorme por aquele lugar no meio do Atlântico" e "alguma alergia, quase, a certos comportamentos de vida".
"É muito difícil entrar no Corvo para filmar", relatou. Foi pela "continuidade" que a equipa conquistou a ilha: "De repente começamos a pertencer, já não interessava se estávamos com a câmara ou não".
O documentário, premiado no DocLisboa, chegou a ser exibido no ano passado para os habitantes do Corvo e já percorreu vários festivais internacionais, nomeadamente na Suíça, onde recebeu uma menção honrosa no Festival de Locarno, Dinamarca, Canadá e Chile.
Feita a estreia comercial, "É na terra não é na lua" será exibido em abril e maio em seis festivais, quase todos em competição internacional, no Brasil (Festival Internacional Documentário de São Paulo e Rio de Janeiro), Argentina (BAFICI), Estados Unidos (San Francisco International Film Festival), Coreia do Sul (Jeonju International Film Festival) e Espanha (Documenta Madrid).
De 14 a 21 de abril integrará a seleção do Panazorean International Film Festival, em São Miguel, Açores.
Gonçalo Tocha, nascido em 1979, assinou em 2006 a primeira longa-metragem, "Balou", premiado no ano seguinte no festival IndieLisboa.
Lusa/Aonline

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